É digno de nota que, no início do diálogo Fédon, de Platão, cujo tema é a imortalidade da alma, Sócrates mencione suas mais recentes composições poéticas e musicais, inspiradas por sonhos recorrentes que ele vinha tendo, nos quais era instado a compor e a tocar música: “Sócrates”, ouvia ele no sonho, “compõe música e a executa (mousikén poien kai ergakon)”. Na dúvida se a mousiké em questão era a sua habitual prática filosófica, ou uma outra “espécie popular” de música, o filósofo conclui que “seria seguro cumprir essa obrigação antes de partir, e compor poemas em obediência ao sonho”. Sócrates então escreve um encômio ao deus Apolo. Uma afirmação da origem divina comum à Filosofia e à Música…