“Universal”, poema de Olga Lucía Betancourt

Ser Universal es puente
sobre el abismo del Tiempo.
Voy de país en país,
hechizada por sus músicas
y sus idiomas complejos.

Cada melodía ofrece
el filtro de la distancia
– evocación para el alma-,
y la música que amo
está en clave de Nostalgia.

Soy la gitana andariega
entre la música “Klezmer”.
Y en el alto Azerbaján
soy “Aziza Mustafá”,
que es la voz de sus mujeres.

Soy eslava, en lo más hondo
de una dulce balalaika,
y una errante alma judía
en el gozo y la tristeza
de sus cantos del exilio.

La voz espesa y doliente
de “Fairuz”, sobre las dunas,
rememora oscuras ansias
por el desierto ondulante
y sus oasis profundos.

El “Fado” que “nació un día”
en el hechizo de Amalia
y de sus bandolas mágicas,
me revela, visceral,
mi honda melancolía.

Soy la tristeza lejana
del violín de “Travadinha”,
en playas de Cabo Verde,
con sus “mornas” que se mecen
en la gran voz de “Césarea”.

La música griega acuna
la fiesta de su “Santuri”
y el fondo triste del canto,
que se unen en el centro
nostálgico de mi alma.

En la guitarra maestra,
de “Atahualpa”, el caminante,
soy la magia de sus Zambas.
Y con “Susana Rinaldi”
me embriaga el Alma del Tango.

¡El Blues es mi sensualidad
y la danza de mi cuerpo!
Desde un saxo voluptuoso
y las voces ondulantes
desde “Ella” hasta “Sarah”

¡Benditos sean mis oídos!
-mis caracolas de Música-.
Por ellos entra el hechizo
que le da pleno sentido
a la Esencia de mi vida.
ssssssssssssssssssssKKssssssssssssss
Ser Universal é ponte
Sobre o abismo do Tempo.
Vou de país em país
enfeitiçada por suas músicas
e complexos idiomas.

Cada melodia oferece
o filtro da distância
– evocação para a alma –,
e a música que amo
está em clave de Nostalgia.

Sou a cigana andarilha
em meio à musica Klezmer
e no alto Azerbaijão
sou Aziza Mustafa,[1]
voz de suas mulheres.

No fundo sou eslava,
de uma doce Balalaika,
errante alma judia
no gozo e na tristeza
de seus cantos do exílio.

A voz grossa e doída
de Fairuz,[2] sobre as dunas,
rememora obscuras ânsias
pelo deserto ondulante
e seus profundos oásis.

O Fado que “nasceu um dia”,
no feitiço de Amália,[3]
com suas bandolas mágicas,
revela a mim, visceral,
minha profunda melancolia.

Sou a tristeza longínqua
do violino de Travadinha[4]
nas praias de Cabo Verde,
com suas “mornas” que balançam
na grande voz de Cesárea.[5]

A música grega anima
a festa de seu santur,[6]
e o fundo triste do canto,
que se unem no centro
nostálgico de minh’alma.

Na guitarra mestra,
de Atahualpa,[7] o caminhante,
sou a magia de suas Zambas.
E com Susana Rinaldi[8]
me embriaga a Alma do Tango.

O Blues é minha sensualidade
e a dança do meu corpo!
Do sax voluptuoso
e as vozes ondulantes
de Ella[9] a Sarah[10]

Benditos sejam os meus ouvidos!
– meus caracóis de Música –.
Por eles adentra o feitiço
que dá pleno sentido
à Essência da minha vida.
OLGA LUCÍA BETANCOURT S.
Luxemburgo (2009)
Trad. do espanhol: Rodrigo Inácio R. Sá Menezes (2020)

[1] Aziza Mustafa Zadeh (1969-), cantora, compositora e pianista azerbaijana conhecida por sua fusão entre o jazz e o mugam (estilo improvisado tradicionalmente azerbaijano), mesclados a influências clássicas e avant-garde.

[2] Nouhad Wadie’ Haddad (1934-), também conhecida como Fairuz (“Turquesa” em árabe), é a cantora libanesa mais conhecida em todo o mundo árabe, comparada por vezes a Edith Piaf.

[3] Amália Rodrigues (1920-1999), cantora de fados e atriz portuguesa, conhecida como a “Rainha do Fado”.

[4] António Vicente Lopes, conhecido como “Travadinha” (1941-1987), foi um músico autodidata de Cabo Verde. Alem do violino, Travadinha também tocava a viola (12 cordas), o cavaquinho e o violão. Conhecido por suas composições e interpretações de estilos tradicionais de Cabo Verde, como as mornas e as coladeiras.

[5] Cesária Évora (1941-2011), a cantora mais popular de Cabo Verde. Muito embora tenha explorado diversos gêneros musicais, ficou conhecida por suas performances no gênero da morna, de onde ser conhecida como a “Rainha da Morna” (como Amália Rodrigues em relação ao Fado).

[6] Santur (santūr, santour, santoor; em pársi: سنتور‎‎) é – como o címbalo da música cigana romena ou húngaro – um instrumento percussivo de muitas cordas, mais ou menos como um piano que se toca diretamente nas cordas, com varetas.

[7] Atahualpa Yupanqui, pseudônimo de Héctor Roberto Chavero (1908-1992), compositor, cantor, violinista e escritor argentino, considerado um dos maiores expoentes da música folclórica argentina. Suas composições foram interpretadas por Mercedes Sosa, Victor Jara, Ángel Parra e, no Brasil, por Elis Regina.

[8] Susana Rinaldi (1935-), atriz e cantora de tango argentina.

[9] Ella Fitzgerald (1917-1996), cantora de jazz americana, conhecida como a “Rainha do Jazz”.

[10] Sarah Vaughan (1924-1990), cantora de jazz americana, conhecida como “A Divina” [The Divine One].

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