“A dimensão metafísica da música” – João Augusto R. Mendes e Jorge Augusto de Serpa Mendes

Simpósio de Estética e Filosofia da Música – SEFiM/UFRGS, Porto Alegre, vol. 1, no. 1, 2013.

Palavras-chave: Metafísica e Teoria musical

Musica est exertitium metaphysices occultum,
nescientis se philosophari animi.

Arthur Schopenhauer

A epígrafe acima é emblemática para o presente trabalho, pois trata-se de uma reformulação de uma frase de Leibniz, na qual este se refere à música como o “exercitium arithmeticae ocultum nescientis se numerae animi” (exercício oculto de aritmética, sem que o espírito saiba que está lidando com números). A reformulação levada a efeito por Schopenhauer sinaliza um momento forte do reencontro entre o que denominamos dimensão metafísica da música e Teoria (termos que serão explicitados adiante), as quais possuem uma origem comum em Pitágoras.

O texto ora apresentado tem como objetivo trazer à luz, sob dois imbricados vieses, a “matéria esquecida” que permeia tanto a origem quanto toda a trajetória da música ocidental. Trata-se da dimensão metafísica e da dimensão teórica que lhe é subjacente, a qual se apresenta sob duas configurações necessária e absolutamente inconfundíveis: a) Teoria (com T maiúsculo), que diz respeito ao desvelamento da relação entre música e número a partir da descoberta pitagórica da série harmônica, do que decorreu a matematização da música no ocidente e a sua singular racionalidade em face de todas as outras manifestações musicais do planeta; b) teoria (com t minúsculo), que se refere às teorias musicais, notadamente à teoria musical que está intrinsecamente vinculada à criação, fundamentação e desenvolvimento do sistema tonal. Dada a recíproca dependência entre essa teoria (ou a “grande teoria musical”) e o tonalismo, o esgotamento deste traduziu também o esvaziamento daquela.

Teoria e teoria são dinâmicas, porém são os novos modos de desvelamento da Teoria que propiciam a criação, transformação e até mesmo a possível superação de teorias. Com efeito, o que se denomina “fim do sistema tonal” é exatamente o esgotamento da teoria que lhe dava sustentação, propiciada por uma reconfiguração da Teoria. A equivalência hierárquica dos harmônicos resultou no fim da dicotomia consonância/dissonância e possibilitou a emergência do dodecafonismo como teoria autônoma. Todavia, a pretensão “fáustica” de Schoenberg, a saber, a substituição do sistema tonal pelo sistema dodecafônico, não chegou a vingar, embora não se possa desconsiderar a enorme repercussão que obteve no âmbito da produção musical das décadas vindouras. A partir de então (início do século XX), ao que parece, vivemos sob a égide da Teoria sem uma teoria sólida (de cunho universal) que a corresponda e isso traz enormes repercussões para as quais o presente trabalho deseja chamar a atenção… [PDF]

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