ADONIRAN BARBOSA & ELIS REGINA – Iracema / Samba no Bexiga / Saudosa Maloca (1978)

Encontro de Adoniran Barbosa e Elis Regina. Gravado no Bar da Carmela, Bixiga, São Paulo, 1978.

IRACEMA

Iracema, eu nunca mais eu te vi
Iracema, meu grande amor foi embora
Chorei, eu chorei de dor porquê
Iracema, meu grande amor foi você

Iracema, eu sempre dizia
Cuidado ao travessar essas ruas
Eu falava, mas você não me escutava, não
Iracema, você travessou contramão

E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso senhor
De lembranças guardo somente suas meias
E seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato

Iracema, fartavam 20 dias
Pra o nosso casamento
Que nóis ia se casar
Você atravessou a São João

Vem um carro, te pega
E te pincha no chão
Você foi pra assistência, Iracema
O chofer não teve curpa, Iracema
Paciência, Iracema, paciência

E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso senhor
De lembranças guardo somente suas meias
E seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato

UM SAMBA NO BEXIGA

Domingo nóis fumo num samba no Bexiga
Na Rua Major, na casa do Nicola
À mezzanotte o’clock
Saiu uma baita duma briga
Era só pizza que avuava
Junto com as brajola

Nóis era estranho no lugar
E não quisemo se meter
Não fumo lá pra brigá, nóis fumo lá pra come
Na hora H se enfiemo de baixo da mesa
Fiquemo ali, que beleza
Vendo o Nicola brigá
Dali a pouco escuitemo a patrulha chegá
E o Sargento Oliveira falá
Num tem portância
Vou chamá duas ambulância

Carma pessoal
A situação aqui tá muito cínica
Os mais pior, vai pras clínica

SAUDOSA MALOCA

Se o senhor não está lembrado
Da licença de contar
Que aqui onde agora está
Esse edifício alto
Era uma casa velha um palacete assobradado

Foi aqui seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímos nossa maloca
Mais um dia nem quero me lembrar
Veio os homens com as ferramentas
O dono mando derruba

Peguemo’ toda’ nossas coisas
E fumos pro meio da rua
Apreciar a demolição
Que tristeza que eu sentia
Cada táuba que caia
Doía no coração

Mato Grosso quis gritar
Mas em cima eu falei
Os homens está ‘cá razão
Nós arranja outro lugar

Só se conformemos quando o Joca falou
“Deus dá o frio conforme o cobertor”
E hoje nós pega a paia nas grama do jardim

E pra esquecer nós cantemos assim
Saudosa maloca, maloca querida
Que din donde nós passemos dias feliz de nossa vida

Saudosa maloca, maloca querida
Que din donde nós passemos dias feliz de nossa vida

Saudosa maloca, maloca querida
Que din donde nós passemos dias feliz de nossa vida
Saudosa maloca, maloca querida

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