Cadáver Pega Fogo Durante o Velório (1983) – fvll album (completo)

Álbum independente de samba, lançado em 1983, com músicas de autoria de Fernando Pellon e participação de Paulinho Lêmos, Synval Silva, Nadinho da Ilha e Cristina Buarque, nos vocais, e Rafael Rabello, no violão de sete cordas.

  1. Porta Afora (vocal de Fernando Pellon) 00:00
  2. Altivez (vocal de Synval Silva) 03:35
  3. Com Todas as Letras (vocal de Paulinho Lêmos) 07:21
  4. Carne no Jantar (vocal de Nadinho da Ilha) 11:05
  5. Cicatrizes (vocal de Fernando Pellon) 13:41
  6. Vã Esperança (vocal de Paulinho Lêmos) 16:57
  7. Tal Como Nazareth (vocal de Paulinho Lêmos) 20:24
  8. Prazer Qualquer (vocal de Cristina Buarque) 22:47
  9. Flores de Plástico ao Amanhecer (vocal de Nadinho da Ilha) 25:44

Todas as faixas são de autoria de Fernando Pellon.
Parceria com Paulinho Lêmos em “Tal Como Nazareth” e com Renato Costa Lima em “Flores de Plástico ao Amanhecer”.


Artificialmente limpa pelo processo Olivetti de tecladismo estéril, a MPB ultimamente não tem correspondido à violência do país que a produz. Pelo menos a MPB letra O, emanada da burocracia do show-bizz e do oficialismo político do bom humor a preço de hiena. Fernando Pellon vai chocar essa hipocrisia generalizada vendida com rótulo de bom gosto e status. “Nunca gostei de eufemismo”, vai logo cantando ele. E dá nome às doenças, como fazia Augusto dos Anjos, com um requinte de morbidez que ainda perde, no entanto, para a crueldade exibida diariamente por nossas autoridades mais altas.

Quem quiser se assuste com Pellon, que também recobra tradições estabelecidas por arautos das campas tão divergentes quanto Nelson Cavaquinho e Vicente Celestino. Para isso, basta ouvir “Flores de Plástico ao Amanhecer”. Já o nosso recente Aldir Blanc também poderia ter assinado algo tão flagrante como ‘Carne no Jantar’. E por aí afora, só para que não se pense que Fernando Pellon é um estranho no ninho, ou alienista fugaz.

Melhor que situar tão precocemente sua obra é ouvi-la, com ouvidos desarmados de preconceitos. O poeta vale a pena, o violão, os convidados e os arranjos de João de Aquino e Paulinho Lêmos.

(Texto de Tárik de Souza extraído da capa do LP)

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