“Morton Feldman como crítico da ideologia: uma leitura política de Rothko Chapel” – VLADIMIR SAFATLE

Dissertatio – Revista de Filosofia (Universidade Federal de Pelotas), [42] 11, nr. 26, 2015

Trata-se discutir a peça Rothko Chapel, de Morton Feldman, a partir de uma indagação sobre a reconstrução de categorias como: expressão, temporalidade, assim como sobre a relação entre música e pintura. Veremos, principalmente, como a peça atravessada por uma reflexão constante sobre como uma obra de arte pode ressignificar noções como: ordem e identidade. Reflexão esta que demonstra o verdadeiro potencial político da análise de forma.

Palavras-chave: Expressão, temporalidade, Adorno, Morton Feldman.

Quando é questão de discussões a respeito da filosofia da música de Theodor Adorno, normalmente nos apoiamos em categorias construídas principalmente através da sua análise de obras de Berg, Schoenberg e Stravinski. No entanto, nos raros momentos em que Adorno confronta-se com a música de Anton Webern, algumas categorias analíticas importantes são introduzidas. Elas mereceriam ser melhor exploradas. Por exemplo, andando na contramão da tradição serialista que procurava filiar-se a Webern devido ao rigor formal com que sua música era construída a partir do uso extensivo da série, Adorno insiste no lugar central ocupado pelo problema da expressão na música weberniana. Uma expressão que, através do uso de procedimentos de subtração, tenderia à posição de um lirismo absoluto, de uma comunicação imediata. “A idéia de Webern”, dirá Adorno, “é de um lirismo absoluto (absoluter Lyrik); a procura em dissolver (aufzulösen) toda matéria da música e todos os elementos objetivos da forma musical no som puro do sujeito, sem que se oponha a ele o menor resíduo, corpo estranho, abrupto, inassimilável”… [PDF]

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