É preciso aprender a amar – Nietzsche

EIS O QUE SUCEDE conosco na música: primeiro temos que aprender a ouvir uma figura, uma melodia, a detectá-la, distingui-la, isolando-a e demarcando-a como uma vida em si; então é necessário empenho e boa vontade para suportá-la, não obstante sua estranheza, usar de paciência com seu olhar e sua expressão, de brandura c om o … Continuar lendo É preciso aprender a amar – Nietzsche

De orgullo y de miedo (Andrés Calamaro)

A languidez de uma manhã sonolenta e envolvente, o amarelo alaranjado do sol refletido na água que corre suavemente rio abaixo. Palavra alguma, os dois deitados, em silêncio, na cama daquela cabana rústica de madeira no topo da montanha. Olhares, carícias, suspiros. A manhã perfeita após uma noite de amor à luz de velas. O … Continuar lendo De orgullo y de miedo (Andrés Calamaro)

Sobre ruídos e “fruição estática”

Por onde começar?Podemos começar de qualquer ponto. É sempre útil examinar o negativo para poder ver claramente o positivo. O negativo do som musical é o ruído. Ruído é o som indesejável.Ruído é a estática no telefone ou o desembrulhar balas do celofane durante Beethoven.Não há outro meio para defini-lo. Às vezes, a dissonância é … Continuar lendo Sobre ruídos e “fruição estática”

Huun Huur Tu & The Bulgarian Angelite Choir: vozes do além

Música e antropomorfismo Quanto menos humana (antropomórfica) parecer a música, melhor. Daí o ideal de que a obra, emancipada do criador, adquiria uma existência autônoma, como se não mantivesse nenhuma relação com ele. De onde a superioridade (para mim) do instrumental sobre tudo o que é cantado, vocalizado... Alguns não suportam nada instrumental, nada que … Continuar lendo Huun Huur Tu & The Bulgarian Angelite Choir: vozes do além

Compasso & descompasso

Instantes únicos em que nos sentimos dissolver em música, quando, docemente oprimidos pela violência de seus encantos, desejamos sublimar e desaparecer com ela, tão logo termine a sua escuta. A vida é normalmente um estado cacofônico, pautado pela dissonância e pelo descompasso, enquanto que a morte nos devolve à harmonia sem tempo nem nome do silêncio … Continuar lendo Compasso & descompasso

Sobre música e pensamento musical: divisas

Longe de mim os que fazem distinção entre cultura (e música) "superior" e "popular"; Antes, estabelecer a divisa entre almas musicais e não-musicais; umas, dançantes e graciosas, outras graves, pesadas, decepcionantes; amar estas e evitar aquelas. E rir de si mesmo, de Deus e do Diabo, do que se é e do que não se … Continuar lendo Sobre música e pensamento musical: divisas

Cioran & a música de Bach, “geradora de divindade”

Emil Cioran amava Bach acima de tudo. Se a Música era para ele a quintessência da “cultura”, e a única justificativa da Humanidade, Bach era a quintessência da Música: um Deus musical. A sua obra como um todo está cheia de elogios à Música em geral e a Bach em particular. Nos Silogismos da amargura (1952), este aforismo: … Continuar lendo Cioran & a música de Bach, “geradora de divindade”